Pff. Colarei o único texto que sobrou, escrito em março:
"Pra que mentir
Se tu ainda não tens
Esse dom, de saber iludir
Pra que, pra que mentir
Se não há necessidade de me trair"
(Noel Rosa)
Faz sentido a dúvida do poeta. Por que mentimos? Às vezes é pra nos valorizar, por vaidade. Mentimos sobre nossa idade, nossas realizações, etc. Ou mentimos para preservar nossa liberdade. Vamos a um lugar e não contamos, compramos algo e escondemos. Mas não adianta querer minimizar as coisas: omitir é o mesmo que mentir. E quem mente por pequenas coisas vai mentir também sobre as grandes, correndo o risco de destruir um sentimento ou marcá-lo com feridas profundas, que aos poucos vão acabando com o desejo e a confiança. A lealdade é fundamental para uma pessoa se entregar a outra de corpo e alma.
Não esperamos nem perdoamos a mentira de quem diz que nos adora. Se pegamos o nosso sentimento numa mentira, seja ela qual for, a confiança é abalada e abre-se espaço para o ciúme. Esse terrível sentimento envenena a relação e, onde antes havia a entrega e a espontaneidade, passa a haver desconfiança e insegurança. Depois de sermos enganados uma primeira vez, qualquer falha, qualquer mudança no comportamento do outro desperta nossa dúvida e nosso medo. O alerta fica ligado. Se há sentimento, quem mentiu e não pretende repeti-lo precisa ter sensibilidade para deixar claras as suas intenções e assim tentar recuperar a credibilidade junto ao parceiro, embora não seja uma tarefa fácil.
Eu poderia falar mais e mais, só que um simples desabafo viraria um texto de auto-ajuda para grupos de ciumentos, desconfiados, obsessivos e afins. Essa não é a intenção. Eu poderia dizer também que o que escrevi não é ligado à mim ou algo ao meu redor, pois soaria como acusação e repetição!
A conclusão é: existem diferenças. O bacana de uma relação é a reciprocidade, aceitar um ao outro sem querer mudar. Dizer que aceita e depois realizar tentativas de mudanças também não é válido. Cada pessoa tem seu jeito, seus métodos, suas idéias. Caso deseje alguma mudança ou saciar suas dúvidas, tormentos e conflitos não são necessáros, diálogos são sempre justos, bem aceitos e teoricamente mais civilizados. E o fundamental: saber respeitar para exigir e obter respeito. Somos X e somos Y. E não tente mudar isso, apenas respeite!
Para vizualizarem o antigo, ainda no ar:
